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  • Foto do escritorJana Rambow

MULHERES NA DIREITA POLÍTICA

Como mulheres dentro do espectro conservador colaboram com o sistema patriarcal

"VOTE EM MULHERES!"

O slogan feminista usado como um chamamento à maior participação política feminina, tanto no voto quanto no pleito, já vem aparecendo em alguns comerciais de partidos políticos que se preparam para as eleições de outubro de 2022. Mas será que todos querem mulheres ocupando efetivamente estes espaços?


A luta pelo acesso de mulheres na política institucional é pauta feminista desde a chamada primeira onda, quando apenas homens possuíam o status de cidadãos. Sufragistas, operárias e no Brasil, especialmente professoras, tomaram as ruas e se manifestaram pelo direito de votar, conquistado apenas em 1932.


Estes movimentos de mulheres sempre fizeram oposição aos papéis de gênero, instituídos por uma cultura patriarcal e mantidos por séculos – com devida contribuição de segmentos políticos conservadores e de direita.

Nos últimos anos, “lugar de mulher é onde ela quiser”, dizem eles. Mas esta não é a primeira eleição em que os partidos políticos de direita cooptam parte do discurso feminista, carregado de sentido histórico e revolucionário, para eleger mulheres em suas bancadas. Aliás, é uma grande estratégia – cooptar e depois esvaziar um discurso tão potente de significado, reduzindo-o à participação feminina que não se opõe aos sistemas de opressão que estruturam nossa sociedade é uma grande estratégia.


O problema do acesso de mulheres, que representam 52% do eleitorado à tomada de decisão política foi encarado pelos legisladores pela primeira vez em 1995, quando houve alteração na legislação que regulamenta as eleições municipais de 1996: 20% das candidaturas dos partidos passaram a ser destinadas à mulheres (Lei 9.100/1995).

Em 1997, a lei novamente mudou, indicando reserva de 30% das candidaturas dos partidos ou coligações para cada sexo em eleições proporcionais.


Acontece que mesmo com o amparo das cotas, muitos partidos tem encontrado formas de burlar a efetividade da lei, como por exemplo, o uso de candidaturas laranja.

Nas eleições de 2018, houve aumento considerável na representação de mulheres na política em relação à 2014. De 51 integrantes da Câmara dos Deputados, o número saltou para 77, enquanto no Senado Federal foi mantido o cenário anterior, com 7 mulheres eleitas. Entretanto, em se tratando de perfil ideológico e partidário 46% são filiadas à partidos de direita, enquanto 36% são de esquerda.


Os números indicam um disparo na eleição de mulheres na direita, à exemplo de Bia Kicis, Carla Zambelli, e Joice Hasselman. Mulheres que reproduzem um discurso antifeminista, que ignoram lutas históricas travadas por mulheres, e servem aos que não tem nenhum comprometimento com as pautas de gênero. Dentro de partidos conservadores, elas atacam debates importantes, usando de julgo moral e justificativa religiosa. Representam retrocesso e entrave nos direitos de mulheres, negros, LGBT+, indígenas e pobres.


Então, não basta eleger mulheres, certo? É preciso eleger mulheres FEMINISTAS, comprometidas com a demanda das mulheres e minorias!

O rechaço da direita aos movimentos feministas tem razão: quem corrobora com a atual situação das mulheres em todos os campos sociais, não quer enfrentamento, e vê no feminismo uma grande ameaça ao status quo – exatamente o que somos. Queremos mulheres votando em mulheres feministas, mas precisamos estar atentas ao uso dos nossos signos e símbolos pelos sistemas que nos oprimem. Vem aí mais um ano de polarização política, de contorcionismos argumentativos e misoginia. Por isso, precisamos alinhar nossas lutas e buscar transformações para as mulheres que se encontram em situações de maior vulnerabilidade. Por isso,

Mulheres na política, representando a direita conservadora não nos representam!



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